quinta-feira, 7 de março de 2013

Cine-Theatro Central

Fachada Atual
O progresso chegava rápido à cidade de Juiz de Fora na década de 20. A "Manchester mineira" era próspera e moderna, cada vez mais inusitada para uma Minas agrícola e Barroca. Enquanto se tornava polo industrial, via surgir seus poetas, pintores, artistas e se tornava uma das cidades mais importantes do país. A população que havia mergulhado na Belle Époque, reclamava por uma casa de espetáculos condizente com as suas expectativas culturais.


Construção
Não foi o primeiro Teatro da cidade mas com certeza sua construção em 1927 foi a mais arrojada. O arquiteto responsável era Raphael Arcuri, da companhia Pantaleone Arcuri, responsável por tantos projetos importantes e por mudar a face arquitetônica de Juiz de Fora. Sua obra erguida na principal rua da cidade - a Rua Halfeld - materializava o sonho do desenvolvimento mineiro. O amplo vão sem pilastras, sustentado por uma estrutura metálica vinda da Inglaterra, atemorizou os menos informados da época. A arquitetura eclética se mantinha forte ainda que trouxesse o art déco fundido à sua ornamentação clássica. O pintor italiano Ângelo Bigi criou os afrescos com cenas de  personagens em jardins românticos e ilustrações de grandes nomes da música, como Ludwig Van Beethoven.


Um ano e quatro meses mais tarde, pouco antes da Crise de 1929, o Central abria suas portas para os dois mil expectadores com o filme mudo "Esposa alheia". Era um dos maiores e mais belos teatros do país, além de uma das poucas casas do Brasil com infra-estrutura para montagens tão diversas quanto teatro, ópera, balé e concertos.

Cine-Teatro Central em seus primórdios
A derrocada do cinema e do teatro agravou o processo de abandono e deterioração do Central nos anos 80. Então, teve inicio um movimento de revalorização do espaço com o tombamento do prédio como bem do patrimônio cultural do município, em 1983, atribuindo-lhe valor histórico e artístico.

Interior
A administração municipal no entanto, não possuía recursos suficientes para salvar o edifício. A solução foi negociar com a Companhia Franco-Brasileira, então proprietária do cine-teatro. Houve uma mobilização de lideranças locais no Governo Federal e a Universidade Federal de Juiz de Fora adquiriu o imóvel através de recursos do Ministério da Educação, em 1994. Neste mesmo ano, o Central foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O Cine-Theatro Central fechou suas portas em 1996 para restauração. Com incentivos fiscais, grandes empresas apoiaram financeiramente o projeto, orçado em 2 milhões de reais. Todo o trabalho realizado pelos restauradores e seus auxiliares - estudantes de Artes e Arquitetura da UFJF - foi acompanhado atentamente pelo Iphan. A restauração gerou uma documentação minuciosa de cada centímetro quadrado, para o caso de uma futura intervenção.

Restauração das pinturas
Lustres de Cristal no Centro da platéia
As ações incluíram obras de recuperação do prédio, com troca de telhado, reforma de instalações elétricas, de poltronas e camarotes, instalação de equipamentos e mecânica cênica, que colocaram a engrenagem do velho teatro em funcionamento outra vez. 

Sete décadas depois, o Central estava pronto para o seu renascimento. Em 14 de novembro de 1996, o cine-teatro foi oficialmente reinaugurado. Ali estava de volta o grande templo da cultura de Juiz de Fora, um dos maiores patrimônios arquitetônicos da nossa cidade.


Fotos: Arquivo pessoal e Cine-Theatro Central/Alexandre Dornelas

Essa foi uma pesquisa de visita técnica ao Cine-Theatro Central idealizada pela professora Mônica Olender na disciplina de Técnicas Retrospectivas.

Por Vitor Wilson

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